CAPOEIRA QUILOMBO- BC/AM.PROFESSOR IVAN FREITAS

ESTE BLOG TEM COMO OBEJETIVO DIVULGAR A CAPOEIRA DO GRUPO QUILOMBO-MESTRE XEXEU NO MUNICIPIO DE BENJAMIN CONSTANT.

Friday, August 18, 2006

MUSICALIDADE

INTRODUÇÃO A MUSICALIDADE DA CAPOEIRA

INSTRUMENTOS MUSICAIS
COMISSÃO DE INSTRUMENTROS – ORQUESTRA

No fundo do mar tem dinheiro...
Quando se fala em orquestra, é importante salientar a relevância de uma boa composição. a comissão de instrumentos da capoeira é formada por três berimbaus, pandeiro, atabaque e muito raramente o agogô.
Vamos detalhar e conhecer a história desses instrumentos.

BERIMBAU - O berimbau é um instrumento que foi adaptado para a capoeira. em publicações de 1834, Jean – Baptiste Debretdiz que o berimbau era tocado por ambulantes para atrair a atenção de fregueses. Para o etnomusicologo TIAGO DE Oliveira Pinto. O berimbau é um instrumento de origem centro – africano que foi incorporado ao jogo da capoeira com sucesso, pois outros instrumentos africanos não tiveram a mesma sorte.em Cuba, o berimbau é conhecido como “berumbumba”,e é usado em rituais de necromancia. (adivinhação através de espíritos mortos). (...) os berimbaus são três tipos: “Viola”(agudo),Gunga (solo) e Berra BOI (GRAVE) determinados pelo tamanho da cabaça.

PANDEIRO – Para alguns estudiosos, o pandeiro é mais um dos instrumentos africanos vindos para o Brasil. Mas suas origens podem estar entre os hindus, uma vez que o pandeiro é um dos mais antigos instrumentos musicais da “velha Índia’.
NO BRASIL, TRAZIDO PELOS PORTUGUESES, OPANDEIRO FAZIA PARTE DAPRIMEIRA PROCISSÃO DE Corpus Cristi, realizada na Bahia,em 13 de Junho de 1549.
Depois disso, o negro aproveitou o pandeiro para suas festas. Em Cuba, existem pandeiros específicos para orixá, como é o caso de Ereu.

ATABAQUE – Termo de origem Árabe, o atabaque já era usado na poética medieval e era um dos instrumentos preferidos dos reis, que o utilizavam em festas ,jograis e nos conjuntos musicais.
O atabaque foi muito difundido na áfrica , mas, segundo Valdeloir do Rego, foi trazido ao Brasil por mãos portuguesas. Por um momento o atabaque era usado em festas religiosas. Por algum tempo foi abolido das rodas de capoeira. para Bimba, era uma forma de as pessoas não acharem que capoeira tinha elementos do candomblé. Depois voltou a se usado normalmente




AGOGÔ – Segundo Buarque de Holanda- Instrumento de percussão de origem africana, construído por duas campânulas de ferro, o qual se percute por uma vareta em suas extremidades.


VARIAÇÕES MUSICAIS DA CAPOEIRA – A musicalidade contida na capoeira é uma de suas particularidades, pois é ela que através da ludicidade contida no seu bojo transforma a luta em uma autentica manifestação cultural. E pra cada jogo um toque diferente como:
Angola
Cavalaria
Santa Maria
São Bento Grande de Angola
São Bento Grande da Regional
São Bento Pequeno
Iúna
Samba de Roda
Maculelê
Benguela, sendo que os mais utilizados nas rodas de capoeira são os de: São Bento Grande da Regional, Angola eBenguela.


TOQUES E SUA FORMA DE JOGO
Pra cada toque um estilo de jogo diferente: os mais usados nas rodas.
SÃO BENTO GRANDE – Toque para um jogo veloz e arrochado. Usado em apresentações, rodas de rua, batizados e na academia para os alunos jogarem.
ANGOLA – Toque tradicional, jogo lento, jogado em baixo. Na angola o angoleiro usa muita malicia.
SÃO BENTO PEQUENO - Também conhecido por angola invertida toque para um jogo amistoso, muito técnico.
BENGUELA - Toque para jogo compassado, curtido , malicioso e floreado, jogo de dentro, corpo a corpo. Treinado para defesa e armas brancas, jogo para estudo das falhas do adversário e auto avaliação da técnica de jogo, e varia muito de Mestre para Mestre.
Seguindo a tradição do jogo, todo bom Mestre que prima em manter viva as tradições culturais do jogo deve iniciar a roda de capoeira com a tradicional Angola.
É formada a roda e para iniciar o jogo o Mestre ou, responsável pela manifestação cultura, inicia a musicalidade com uma ladainha, enquanto isso os dois atletas permanecem ao pé do berimbau fazendo sua oração e não saem para jogar enquanto o Mestre não dê autorização. E após a volta ao mundo, e o corrido,e o coro respondido eles partem para o jogo. Ao encerrar o jogo cumprimentam – se retornam ao pé do berimbau e saem do jogo dando espaço para mais dois capoeiristas.
São exemplos de:

LADAINHA:
Quando eu aqui cheguei
Quando eu aqui cheguei
Vim louvar a Deus primeiro
E os moradores deste lugar
Agora eu to cantando
Agora eu to cantando
Cantando dando louvor
To louvando a Jesus Cristo
Porque nos abençoou...

QUADRA:

A canoa virou, marinheiro

A canoa virou marinheiro
No fundo do mar tem segredo

CORRIDO:
Gunga é meu, gunga é meu
Gunga é meu, é meu,
é meu...

CHULA.
Vida e solteiro é dura
De casado é muito mais
O marido vai na festa
Ai meu bem
A mulher ir atrás
Se ele diz que não leva
Vira onça e diz eu vai
É por tudo isso que não caso
Pra viver a vida em paz
Camaradinha...
IÊ! aruandê...


CONSTRUINDO O BERIMBAU

Para construir o berimbau, primeiro é necessário escolher uma boa madeira, no nosso município a mais utilizada é a envireira preta ou a rocha, no nordeste a mais utilizada é a biriba. Bem a pós catalogar a madeira você corta um pedaço de aproximadamente 1.60 ou 70 de altura. Em uma das extremidades você faz um suporte para prender o arame, na parte de cima da vara coloca – se um pedaço de couro para que o arame não deteriore a vara. Isso tudo depois de fazer a limpeza da vara e lixa –lá ou pintá-la. Após isso corta - se um pedaço de arame um pouco maior que o tamanho da vara. Em seguida faz uma espécie de anel na ponta do arame entortando –o para dá condições de prende – lo na parte interna da vara, na outra ponta do arame faz – se um outro anel,para prender um pedaço de corda ou, barbante, após prender a corda no arame é hora de estica –lo. Com aponta do arame presa à parte de baixo da vara, você prende a parte de baixo da vara no seu calcanhar esquerdo e o joelho direito você usa como alavanca e faz uma força de pressão com o braço envergando a vara. Cuidado para não quebra – lá. Com a vara envergada prenda a outra extremidade do arame na outra ponta da vara, passando por cima da parte que está com o couro, entrelaça – se o arame na vara e o prende dando uma espécie de nó. Com o berimbau esticado você vai agora acrescentar – lhe a cabaça, que depende muito do tipo de berimbau que você vai construir. Após a escolha da cabaça faça uma abertura de aproximadamente ¼ de circunferência. Faça dois pequenos furos na outra extremidade da cabaça, com aproximadamente 05 cm de distancia passe as pontas do barbante pelos orifícios, dê um espaço de aproximadamente dois dedos de largura entre a corda e a cabaço e dê um nó. Pronto agora é só colocar a cabaça deixando ela encostada na vara e aparte do barbante presa no arame. Seu berimbau está pronto. Agora escolha uma boa pedra e uma baqueta o caxixi é também de sua escolha afine bem seu berimbau e pode sair tocando.

CONSTRUINDO O ATABAQUE
Escolha uma madeira bem consistente
Corte a madeira em ripas de mais ou menos seis centímetros de largura
Co uma plaina ajuste as ripas
Para um atabaque grande são necessário mais ou menos 22 ripas
Coloque –as lado a lado e feche – as com o arco de ferro para segurara-la
Coloque um segundo arco de ferro
Vire o atabaque de cabeça para baixo e coloque o terceiro e o quarto arco de ferro
Quando o atabaque estiver com todos os lados colocado. Coloque fogo no seu interior
Desmanche a parte de baixo e coloque cola nas ripas
Coloque os aros de ferro que substituirão os primeiros aros
Na hora de encourar deixe uma folga nos aros de ferro para a carcaça para poder dá uma boa afinação.
Coloque as unhas (espécie de pedaço de madeira cortado em forma de cunha)
Coloque as cordas, afine e seu atabaque está prontinho para ser tocado.


AFINANDO OS INSTRUMENTOS

BERIMBAUS – existem três tipos de berimbaus, são eles:
GUNGA OU BERRA – BOI: devido a sua caixa de ressonância ser a maior de todas sua sonoridades é bastante grave, sua forma de afina – lo é de acordo com a sua voz, ou o tocador deve toar no arame fazendo uma nota solta, se o som emitido da cabaça não estiver e ecoando com sonoridade suave o berimbau ainda não está afinado. Ele afina quando sua sonoridade ecoa serenamente e prolongada. A partir daí se afina os outros berimbaus.
MÉDIO – Sua sonoridade é diferenciada do gunga, pois, trata – se de uma cabaça menor, ele fica entre o gunga e o viola. Usado para fazer viradas.
VIOLA – consiste de um berimbau de porte pequeno, o som emitido do viola é bem agudo, e isso se consegui devido ao tamanho da cabaça. Serve para fazer repiques e viradas. Entre eles ainda existe o violinha que o mais agudo de todos , não que seja necessário é simplesmente para fazer malabarismo na hora do toque.

PERCUSÃO DA CAPOEIRA

RITIMOS DO ATABAQUE – Ritmo afro –brasileiro parecido não igual aos praticados no batuque. Consiste de quatro pancadas, uma para marcação e três em tempos consecutivos, acompanha o ritmo do berimbau.
RITMOS DO PANDERO . também em quatro tempos sendo no primeiro toque chocalha – se o instrumento para marcar o tempo das três batidas seguintes. Também acompanha o berimbau.


MUSICALIDADE

DIVERSAS MUSICAS CANTAROLADAS NAS RODAS DE CAPEOIRA.

REGIONAL
AO MESTRE XEXEU

Quando toca o berimbau
Eu sinto no peito uma forte emoção
Lembro do Mestre jogando
Que tem capoeira no seu coração
Quando ele chega na roda
Fica difícil de segurar
Meu Mestre joga bonito
O jogo de angola ou de regional
Ele joga maneiro
Mas, pega pesado e eu fico a olhar
Capoeira igual a do mestre
Tá bem difícil de se encontrar
Toca berimbau viola
Toca canção pro meu mestre jogar / coro
Xexéu tem mandinga no corpo
No jogo de angola ou, de regional

Ivan Freitas

EU VI SEREIA

Eu vi sereia, eu vi sereia / coro
Na beira da praia
Em noite de lua cheia
Ivan Freitas

TEM PEIXE NA REDE

A maré tá cheia / coro
Tem peixe na rede o iaiá,
Tem peixe na rede o iaiá
Tem peixe na rede o iaiá
Ivan Freitas
NA AREIA DA PRAIA

Na areia da praia tem dendê
Tem dendê, mas, tem dendê
Na areia da praia
Tem dendê / coro

Lá vem ele de peito tufado
Anabolizado querendo brigar
Ta fazendo boxe e luta livre
Deus que me livre dele me acertar
Chega na roda com cara de mal
Vem tocar berimbau
Que é pra não se cançar
Pula na roda no toque benguela
De punho fechado
Querendo brigar
De repente um caboclo magrinho
Que joga mansinho
Resolveu comprar
E o outro que tava arretado
Foi logo soltando seu golpe mortal
Mas, o golpe não encontrou nada
Cosa desperdiçada perdida no ar
Lá de baixo veio uma rasteira
Que fez o coqueiro balançar
Balançou, balançou /coro
Logo,logo cai coco meu sinhô...
Mestre Ramos
GUERREIRO DO QUILOMBO
Sou guerreiro quilombo, quilombola lê, lê, ô /coro
Eu sou dos bantos de Angola negro nangô /coro

Fomos trazidos pro Brasil
Minha familia separou
Minha mãe já foi vendida
Pra fazenda do sinhô
O meu pai morreu no tronco
Do chicote do feitor
Meu irmão não orelha
Por que o feitor arrancou
Na mente trago tristeza e no corpo muita dor
Mas, houve um dia
Pros quilombo eu fugi
Com muita luta e muita garra
Me tornei um guerreiro de Zumbi
Ao passar dos tempos
Pra fazenda retornei soltei todos os escravos
E as senzalas eu queimei
A liberdade
Não tava escrita em papel
Nem foi dado por princesa
Cujo o nome é Isabel
A liberdade
Foi feita com sangue e muita dor
Muitas lutas e batalhas
Foi o que nos libertou.

Mestre Barrão
Elevando o astral

Se você faz um jogo ligeiro
Dá um pulo pra lá e pra cá
Não se julgue tão bom capoeira
Que a capoeira não é tão vulgar
Para ser um bom capoeirista
Pra ter muita gente que lhe dê valor
Você tem que ter muita humildade
Tocar instrumento e ser bom professor
O capoeira faz chula bonita
E canta um lamento com muita emoção
Quando vê o seu mestre jogando
Sente alegria no seu coração
Ele joga angola miudinho
Se a coisa esquenta
Não corre do pau
Tem amigo por todo os lados
E um grande sorriso também não faz mal
Isso é coisa da gente dá gente
Dá um pulo pra lá e pra cá
Mexe o corpo ligeiro
A mandinga não pode acabar.
ANGOLA

IGREJA DE SÃO FRANCISCO

Igreja de São Francisco
Igreja de São Francisco
Fica lá no umarizal
Diz que é o santo protetor
Nas noites de arraial
Lá no centro a Imaculada
Diz que protege a todo mundo
Na praça Frei Ludovico
Anda rico e vagabundo
Minha cidade é muito boa
Ela é hospitaleira
Tem de tudo que queria
Também tem a capoeira, camaradinha...
Iê! É hora é hora....
Ivan Freitas

NOS TEMPOS DOS AÇOITES
Nos tempos dos açoites
O negro ainda sonhava
No estalar dos chicotes
O sangue se espalhava
Pobre negro sofredor
Deixava a mente vagar
Buscando um lugar vazio
Pro seu corpo repousar
De repente um berimbau
Entoa no meio do nada
E o negro ainda chorando
Seu corpo arrepiava
É hora de esquecer
O chicote do patrão
Toca berimbau
Lembro do velho torrão
Lá se vem o meu sinhô
Acabar com a euforia
E do negro sofredor
Tira toda alegria
De repente um grito
Toma conta da senzala
Pobre negro, pobre negro
Um tiro e ele se cala /coro
E vendo tudo isso
Menino sonhava em crescer
Mas, o açoite do chicote
Já o fez envelhecer. Ivan Freitas

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